Quando o seu coração não apresenta o ritmo certo adequado às suas necessidades, pode estar perante uma bradicardia. A solução passa por colocar um pacemaker que marque o passo do seu coração...Estimular o coração e melhorar o funcionamento deste órgão O coração desempenha uma função vital no nosso organismo, pois é responsável por enviar oxigénio a todos os órgãos e tecidos, ao bombear o sangue proveniente dos pulmões para todas as áreas do corpo. O sangue que retorna ao coração é enviado novamente aos pulmões para ser oxigenado, completando deste modo um circuito que nos permite estarmos vivos. Como explica o Dr. Luís Elvas, cardiologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), «o coração funciona como uma bomba, mas necessita de impulsos eléctricos para que a contracção muscular se processe. Assim, existe no coração (aurícula direita) um pequeno gerador eléctrico (nódulo sinusal ou sinoauricular), que emite estímulos eléctricos a uma cadência determinada. A actividade eléctrica irá ser conduzida aos ventrículos através de um sistema de condução específico, chegando finalmente ao músculo ventricular e provocando a sua contracção.». A diminuição exagerada do número de contracções ou pulsações (bradicardia), seja por dificuldades na formação de estímulos eléctricos, seja por interrupções na passagem dos estímulos ao longo do sistema de condução (bloqueios), pode levar ao aparecimento de sintomas que justifiquem a implantação de pacemakers. As queixas mais habituais são tonturas, sensação de desfalecimento ou mesmo desmaio, e situações de cansaço anormal e fadiga extrema. «Note-se que nem sempre estes sintomas se devem a bradicardia e só uma avaliação médica, por vezes exaustiva, poderá estabelecer o diagnóstico correcto», salienta Luís Elvas. De acordo com o Dr. João de Sousa, assistente hospitalar graduado de Cardiologia no Hospital de Santa Maria, «o pacemaker é um aparelho electrónico que funciona como um “marca passo”, emitindo estímulos eléctricos que capturam o coração e assim suportam o seu ritmo», afirma, acrescentando: «Uma situação em que os pacemakers estão também indicados é na insuficiência cardíaca. Através da sincronização da estimulação do coração podemos melhorar o funcionamento deste órgão.» Deste modo, destacam-se dois benefícios principais aquando da colocação de um pacemaker, nas situações referidas acima. «O primeiro é na mortalidade. Estudos já muito antigos evidenciaram que nas pessoas que tinham bloqueios auriculoventriculares ou uma frequência cardíaca muito lenta, a colocação do pacemaker melhorou significativamente a mortalidade. Por outro lado, também é vantajoso no que diz respeito à própria morbilidade. Em termos funcionais, os doentes que colocam um pacemaker deixam de ter queixas e, deste modo, conseguem ter uma vida normal», diz João de Sousa. A cirurgia para implantar o pacemaker evoluiu muito ao longo dos tempos. Actualmente, é uma pequena cirurgia de mera rotina, sendo que a maioria destas implantações é realizada apenas com anestesia local. «Geralmente, o pacemaker coloca-se no lado esquerdo do peito, na região antepeitoral, ou seja, em frente ao músculo peitoral, e os fios são introduzidos pelo sistema venoso, numa intervenção relativamente fácil, com a duração de 45 minutos», salienta o cardiologista do Hospital de Santa Maria. O pós-operatório também é rápido, uma vez que, normalmente, os doentes têm alta ao fim de 24 horas, isto é, implantam o pacemaker num dia e saem no dia seguinte. Pode ainda ler o artigo de opinião do Prof. Doutor João José Lopes Gomes, médico cardiologista: «Quando o coração não consegue desempenhar a sua função de bomba...» Artigo retirado da revista Medicina e Saúde |