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Dor de cabeça pode ser um desafio para o médico Podem ser muitas as causas da dor de cabeça e são também numerosos os parâmetros de avaliação que ditam o diagnóstico. «A dor de cabeça é das queixas que com mais frequência aparecem na Consulta de Clínica Geral», diz o Dr. Mário Sousa Dias, clínico geral. Se, por um lado, a dor de cabeça preocupa o doente, por outro, obriga o médico a considerar inúmeras hipóteses, a maioria das quais, felizmente, benignas. O diagnóstico é conseguido após a avaliação de vários parâmetros. Só mediante essa avaliação é que são colocadas fora de hipótese as eventuais causas malignas. A idade é um deles, assim como a intensidade e a qualidade da dor. De acordo com Mário Sousa Dias, «numa pessoa jovem, a dor de cabeça pode ser devida, por exemplo, a sinusite, mas num indivíduo de idade média há que ter em conta outro tipo de patologias, como a artrose cervical, o glaucoma ou mesmo um tumor». Tanto a intensidade como a qualidade da dor estão intimamente relacionadas com a própria personalidade do doente, pelo que muitas vezes podem não ser úteis; assim, uma pessoa mais ansiosa pode dramatizar mais a dor, enquanto uma personalidade estóica tenderá a minimizá-la. «A localização também é importante para o diagnóstico. Uma dor frontal nos jovens pode ser originada pela sinusite», menciona o médico, referindo-se aos parâmetros de avaliação. O tempo e a intensidade E aponta outros: «A relação intensidade/tempo também não pode ser colocada de parte, pois, por exemplo, na enxaqueca a dor atinge o pico em 30 minutos e permanece até dois dias. O horário é outro factor a considerar – se ocorrer ao início do dia é provável que seja devida a uma rinite ou enxaqueca». Quando avaliam o doente, os médicos consideram, ainda, o grau de incapacidade que a dor de cabeça provoca. Quem é importunado com cefaleias comuns consegue, apesar de tudo, desempenhar quase naturalmente as tarefas laborais e do quotidiano. O mesmo já não acontece com quem sofre de enxaquecas, em que normalmente se vê obrigado a recolher-se para um quarto escuro. «A ingestão de vinho, de chocolate, de queijo e de gelados também pode causar dores de cabeça e não é imperativo que estes produtos sejam consumidos em excesso para desencadear essas mesmas dores», assinala Mário Sousa Dias, salientando: «Uma dor que surja com muita intensidade, persistência, ou que seja progressiva e acompanhada de sinais e sintomas neurológicos obriga a uma pesquisa mais detalhada com recurso a exames de diagnóstico, como a ressonância magnética ou a TAC.»
Todavia, Mário Sousa Dias avança que, em relação às cefaleias primárias, «80% dos doentes diagnosticados sofrem de cefaleias comuns e cerca de 20% têm enxaqueca».
O fim da dor de cabeça Após a avaliação, baseada nos critérios referidos, o clínico prescreve uma terapia adequada a cada situação. «Podemos utilizar várias substâncias. Para as situações mais comuns, geralmente usamos uma terapia abortiva com analgésicos comuns ou anti-inflamatórios. Já para as enxaquecas recorremos a medicação substancialmente mais forte», indica o mesmo clínico geral, concluindo: «Para as dores de cabeça de tensão pode ser necessário recorrer a uma terapia comportamental (apoio psicológico).» Artigo retirado em http://www.jasfarma.com/ Medicina e Saúde |